quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Infância de suburbano II
No subúrbio é assim, sobre espaço em casa e na rua para você fazer m....de todo o jeito que quiser. A casa onde morava tinha um bom quintal na frente, com garagem para o carro e sobrando espaço para brincar, na parte de trás da casa também tinha espaço suficiente para algumas árvores frutíferas, que comentarei mais a frente, e o terreno atrás da casa era vazio e pertencia ao meu tio, imagina um terreno todo para brincar. Lembro-me que tínhamos um galinheiro em casa, com direito a galo e galinha dentro, não era enfeite não, nos meus primeiros anos de vida esses eram os animais da minha casa, além de um papagaio que só falava “louro, louro”. Volta e meia eu tentava criar “pintinhos”, sem duplo sentido por favor, vamos entender. Semana sim semana não passava um carro anunciando a troca de pintinhos por garrafas velhas, eu não perdia uma promoção, sempre que possível pedia a minha mãe para trocar, colocava os bichinhos em uma caixinha, mas não me lembro de ver nenhum virar uma galinha. Era o maior barato ter pintinhos, pareciam bolas com asas, você jogava eles para cima, e os bichinhos sempre amorteciam a queda, nunca quicavam. Eu não era uma criança má, era apenas divertido ver os bichinhos “voando”. Malvado foi meu irmão mais velho, que após fazer uma horta no quintal da nossa casa, teve todo a sua colheita devorada pelos recém chegados pintinhos. Após notar que todo seu esforço serviu de banquete meu irmão torceu o pescoço de todos, nunca mais troquei pinto por garrafa.Todos devem estar imaginando onde estão os cachorros dessa casa, a minha casa era uma das poucas que não tinha cachorro, minha mãe não gostava, e não gosta até hoje. Um belo dia meu pai levou um cachorro para casa, chegou com ele na hora do almoço, meu irmão caçula adorou, era um vira lata ainda pequeno, que por ser todo preto ganhou rapidamente o apelido de pretinha, na verdade tratava-se de uma cadela, foi uma festa. Corre daqui, chama a pretinha para lá, o maior barato, até que minha mãe perguntou para o meu irmão caçula: Você gostou dela? Então escolhe, se ela ficar mamãe vai embora. Antes do café da tarde não tínhamos mais cachorro. Para compensar, acho eu, meu irmão ganhou um coelho, que não era a mesma coisa que o cachorro, e muito menos parecido com os pintinhos, pois o coelho nunca amortecia a queda quando era jogado para cima.
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