quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Infância de suburbano V

Existem algumas lendas da minha infância que acho eu, eram típicas do subúrbio, “rato morto vira morcego” era uma delas. Lembro-me do “portuga” (apelido carinhoso para não citar o nome dele) que tinha um terreno vazio bem atrás da nossa “quadra”, o terreno era sempre mantido fechado e tínhamos que tomar cuidado para a bola não cair lá, o portuga mantinha uma pequena horta e tinha um “pé de cajá manga” do qual ele morria de ciúme, e com razão, pois a fruta era deliciosa, e quando estava madura a bola sempre caía lá. Mas vamos a historia do rato morto, nosso portuga tinha seus momentos, uma das coisas que ele mais gostava era presentear a galera com ratos, isso mesmo, ele tinha uma armadilha para pegar ratos, era uma gaiola grande com algumas iscas, depois que o rato entrava já era. O que fazia ele? Trazia a gaiola com um ou dois ratos, jogava álcool nos futuros morcegos, nisso todos nós já tínhamos pau e pedras na mão, seu portuga “acendia” os ratos e abria à gaiola, imaginem a cena... Várias crianças correndo atrás de ratos em chamas tacando pedra e dando pauladas, vida de rato na minha rua não era mole não. Depois do óbito sempre ouvia a mesma historia, “agora vão virar morcego”. Outra lenda era a seguinte, toda vez que furasse o pé com prego tinha que levar o prego para casa e espetar no prego uma cebola. Olha o problema, a dor de furar o pé, o desespero de ver seu sangue, e ainda tinha que levar o seu “agressor” para casa, se não colocasse o prego na cebola o machucado não iria fechar. E claro que junto com isso tinha que tomar uma injeção que doía muito. Desse jeito parece que criança do subúrbio só se machuca né, não só parece como é verdade. Lembro de ter visto osso e tripa algumas vezes. Sabe aquela raspada na canela? O sangue que demora aparecer e fica “aquela coisa branca”? Não pensávamos duas vezes, “caramba, apareceu o osso!”. E o “galo na cabeça”? Tinha que ser devidamente apertado com uma colher, dessa forma o galo não iria crescer. Mais a maior de todas as lendas era a loira que aparecia no banheiro das escolas para raptar crianças, mais essa merece uma capitulo a parte

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